Apelo da Internacional Comunista aos operários
e camponeses da América do Sul (1922)
Camaradas,
O 4º Congresso da Internacional Comunista, reunido em Moscou por
ocasião do quinto aniversário da Revolução
Russa, faz um apelo a todos os operários e camponeses da América
do Sul a fim de que se preparem para a luta de classes e secundem a ação
revolucionária do proletariado mundial.
O papel dos Estados Unidos da América do Norte
A guerra européia anunciou o começo da crise final do
capitalismo. Os antagonismos da burguesia internacional levaram ao mais
terrível massacre que a História conhece, para decidir qual
dos dois grupos imperialistas havia de impor sua hegemonia. Milhões
de proletários foram sacrificados, nos campos de batalha, no interesse
do imperialismo à procura de uma solução para a crise
aguda que o arrasta fatalmente à bancarrota.
A guerra não pôde resolver essa crise. O capitalismo europeu
viu aumentar suas crises internas ao mesmo tempo que se acentuava a luta
de classes. O Tratado de Versalhes é uma fonte de novos conflitos.
As massas proletárias reconhecem cada vez mais que só a Revolução
pode abolir os antagonismos capitalistas. As repressões inauditas
a que assistimos hoje, a ofensiva implacável da burguesia indicam
a crítica situação dos Estados capitalistas.
Unicamente o imperialismo da América do Norte fortificou seu
poder durante a guerra. Os Estados Unidos são hoje a potência
imperialista mais forte. Após a guerra européia surgiram,
porém, novas causas de lutas imperialistas. Os antagonismos entre
a América do Norte, a Inglaterra e o Japão ameaçam
de novo a paz do mundo. O imperialismo ianque se desenvolve, cria os germens
de futuros conflitos, que exigirão das massas proletárias
novos sacrifícios sangrentos. A América do Norte torna-se
o centro da reação internacional da burguesia contra o proletariado.
A extensão do imperialismo ianque
O imperialismo ianque procura estender seu domínio por todas
as regiões do mundo. Na Ásia, como na África como
nas margens do Pacífico, ele procura novos campos de atividade para
sua exploração. Sobretudo na América Latina, quer
sob uma forma pretensamente econômica, quer por uma dominação
aberta, é que o imperialismo dos Estados Unidos assenta seu predomínio.
Ele procura na América do Sul um mercado seguro para suas mercadorias,
visto que o capitalismo da Europa, em razão do abalo de sua base
social, não lhe pode mais comprar com segurança.
A Doutrina de Monroe serve aos imperialistas americanos para lhes garantir
a conquista econômica da América Latina. Os empréstimos,
a colocação de novos capitais americanos nas explorações
industriais, comerciais e bancárias, as concessões de estradas
de ferro e de empresas marítimas, a aquisição de jazidas
de petróleo – essas múltiplas formas de expansão da
penetração econômica ianque mostram como o capitalismo
norte-americano procura fazer da América do Sul a base de sua potência
industrial.
Esta precaução econômica leva também as diversas
burguesias nacionais a intervir nas lutas imperialistas da América
Central, no Panamá, na Colômbia, na Venezuela, no Peru. A
burguesia de todas as Américas prepara a reação contra
o proletariado, convocando congressos policiais, e quando os operários
da América do Sul se levantam contra as tentativas criminosas do
capitalismo ianque, como aconteceu por ocasião do processo de Sacco
e Vanzetti, as classes governantes abafam essas demonstrações
proletárias, provando assim sua submissão interessada e consciente
ao imperialismo do Norte. A união pan-americana da burguesia é
um fato evidente, bem como o propósito de manter seus privilégios
de classe e seu regime de opressão.
O dever do proletariado da América do Sul
Operários, camponeses da América do Sul!
O imperialismo capitalista introduz em vossos países os antagonismos
mundiais que levaram os povos da Europa à guerra mais sangrenta
e a mais formidável reação. É já tempo
de unir as forças revolucionárias do proletariado, pois que
os capitalistas de toda a América se unem contra a classe operária.
Camaradas, os operários e camponeses da América do Sul
não possuem ainda organizações de luta de classe disciplinadas
e a unidade de ação necessárias. Vossa classe governante
se apoia sobre a potência formidável dos Estados Unidos no
intuito de esmagar vossos esforços, abafar vossas ações
libertadoras e impedir toda tentativa revolucionária de vossas massas
oprimidas.
Operários e camponeses! A Internacional Comunista apela para
vós! Não vos esqueçais de que nos Estados Unidos há
comunistas prontos a vos ajudar na luta revolucionária. A luta comum
dos proletários de todos os Estados da América contra todos
os capitalistas americanos solidários constitui uma necessidade
vital para a classe explorada. Ela se impõe como o único
caminho para vossa salvação. O exemplo heróico da
Revolução Russa, sustentando a luta mais encarniçada
contra o capitalismo internacional, vos fará compreender a sorte
que vos espera se permaneceis indiferentes, quando a classe possuidora
agrava a exploração capitalista. Em vossos países,
os antagonismos entre a alta finança e a indústria aumentam,
e os conflitos imperialistas mundiais ameaçam arrastar-vos, também
a vós, aos massacres.
Camaradas, à ofensiva burguesa é necessário opor
a unidade proletária. Organizai-vos, pois, ligai vossa ação
revolucionária à ação da classe operária
e camponesa de toda a América e de todos os países do globo.
Lutai contra vossa própria burguesia e lutareis contra o imperialismo
ianque, que é a encarnação mais alta da reação
capitalista. Uni-vos em torno da bandeira da Revolução Russa,
que criou as bases da revolução proletária mundial.
Como a Revolução Russa, preparar-vo-ei a transformar toda
tentativa de guerra em luta aberta da classe operária contra a burguesia.
Como a Revolução Russa, empreendereis a ação
contra o imperialismo preparando a ditadura proletária que destruirá
em toda a América a ditadura burguesa. Se permaneceis divididos
e desorganizados, a burguesia americana vos estrangulará, esmagará
vossas ações e aumentará a exploração
capitalista arrancando-vos as conquistas já antes obtidas por vós.
A luta contra vossa própria burguesia redundará cada vez
mais na luta contra o imperialismo mundial e se tornará uma batalha
de todos os explorados contra todos os exploradores.
Camaradas! Organizai-vos! Fortificai vossos partidos comunistas e criai-os
onde eles não existem ainda. Ligai vossa ação à
ação de todos os comunistas da América. Organizai
o proletariado revolucionário, que luta, com a Internacional Sindical
Vermelha e trabalhai afim de que em toda a América existam seções
da Internacional Comunista e da Internacional Sindical Vermelha!
Viva a Internacional Sindical Vermelha! Viva a Internacional Comunista!
Viva a Rússia dos Soviets! Viva o proletariado revolucionário
da América e Viva a revolução mundial!
4º Congresso da Internacional Comunista.
Moscou, novembro de 1922
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