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Boletim N° 23 Janeiro
2002 Especial para o 28º Congresso da CNTE
MOÇÃO
Trabalhadores
da educação do Brazil fizeram o início
Agora
é a hora de mobilizar o poder a luta pela liberdade de Mumia
Abu-Jamal
Resolução
para o XXVIII Congresso da CNTE
pela liberdade
de Mumia Abu-Jamal
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| Rio de
Janeiro, 23 abril 1999 |
O caso do jornalista radical negro Mumia Abu-Jamal, vítima de
um embuste policial, é o foco da luta contra a racista pena de morte
nos Estados Unidos e ao nível internacional. Centenas de milhares
têm saído em defesa deste ex militante do Partido Pantera
Negra que está preso durante os últimos 20 anos no corredor
da morte no estado da Pensilvânia. Como nos casos dos operários
anarquistas Sacco e Vanzetti nos anos 20 nos EUA e dos jovens negros de
Scottsboro na década dos anos 30, é preciso organizar em
todo o mundo poderosas mobilizações da força da classe
operária junto com negros, estudantes e outros para exigir a liberdade
deste corajoso lutador pela causa dos oprimidos que fica sob a ameaça
de morte nas mãos da maquinaria de assassínio estatal.
Agora é mais urgente que nunca quando os tribunais norte-americanos
estão decidindo sobre a sorte de Jamal. Em dezembro de 2001 um juiz
federal aceitou um só dos 29 pontos da apelação de
Jamal, e ordenou uma audiência judicial para decidir novamente a
sentença dele; a falta disto, seria convertida em prisão
perpétua. O juiz rejeitou ouvir o testemunho de Jamal e não
permitiu a apresentação da confissão do homen (Arnold
Beverly) que admitiu ter matado o policial pelo qual Mumia foi condenado
à morte. Nós os trabalhadores do mundo inteiro não
aceitamos este ultraje – devemos mobilizar para obrigar a libertação
imediata e sem condições de nosso companheiro Mumia.
O XXVII Congresso da CNTE em fevereiro de 1999 aprovou uma moção
exigindo a libertação imediata de Jamal. Em abril de 99,
o SEPE no estado do Rio de Janeiro realizou paralisações
de atividades de uma hora em cada turno nas escolas para exigir a liberdade
de Mumia. Esta ação foi levada a cabo em conjunto com a paralisação
de todos os portos da Costa Pacífica nos EUA pelo sindicato dos
portuários. Foi a primeira vez que se mobilizou a ação
operária para arrancar este corajoso lutador contra a opressão
da máquina de morte do estado dos patrões. Em novembro do
mesmo ano outra paralisação pelo SEPE, uma greve dos bancários
do Rio de Janeiro e uma greve geral estadual da CUT do Rio incluíram
a demanda da liberdade de Jamal.
Agora é urgente tomar um passo adiante nesta campanha e realizar
atos e ações sindicais em todo Brasil para Mumia. O XXVIII
congresso da CNTE decide fazer no mês de abril paralisações
em todas as escolas da rede pública para exigir a liberdade de Jamal
e fazer que seu caso seja mais amplamente conhecido.
Em meio a guerra imperialista lançada contra o país semi-colonial
doAfeganistão, estão impondo medidas de estado policial (julgamentos
secretos, incremento de espionagem política) nos EUA e outros países.
Sob o presidente norte-americano George Bush, conhecido como o “Governador
Morte” por ter realizado mais de 150 execuções como mandatário
do estado do Texas, a vida de Jamal corre um perigo ainda maior. Não
obstante o apoio dos partidos burgueses Democrata e Republicano à
pena de morte, cresce na população norte-americana o rechaço
à mesma devido às revelações da inocência
de muitas pessoas condenadas à execução pelos tribunais.
O XXVIII CONGRESSO DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES
EM EDUCAÇÃO RESOLVE:
1) Exigir a liberdade imediata de Mumia Abu-Jamal, homem inocente que
foi condenado à morte pela justiça capitalista racista devido
a suas convicções revolucionárias.
2) Chamar aos sindicatos, e particularmente à Central Única
dos Trabalhadores, a mobilizar-se para pôr em
prática a solidariedade operária internacional em forma
de paralisações e greves para salvar a vida e conseguir a
libertação incondicional de Jamal.
3) Realizar paralisações de atividades durante meio dia
nas escolas do Brasil no dia 23 de abril próximo para exigir que
se solte imediatamente Jamal. Deve se pedir também a participação
ativa dos estudantes, professores e funcionários universitários
numa mobilização para paralisar a educação
neste país no dia acima referido. A pena de morte é uma ameaça
também para os explorados e oprimidos do Brasil. Foi a pedra angular
da “justiça” sob a escravidão, e as execuções
foram utilizadas contra esquerdistas, sindicalistas, estudantes e camponeses
durante a ditadura militar. Mesmo que agora não exista formalmente
a pena de morte, a polícia continua realizando execuções
nas ruas das favelas, no campo (Eldorado dos Carajás e muitos mais)
e nas prisões (nova chacina no Carandirú). Por isto, é
imprescindível juntar ao protesto contra a sentença de morte
de Jamal com o protesto contra os assassinatos no Brasil pela polícia,
o punho armado do estado capitalista.
Realização: Deve-se transmitir a sobredita resolução
à todos os sindicatos filiados estaduais e todas as seções
da CNTE e se pede de cada um deles um plano concreto pela mobilização.
A CNTE se compromete a preparar os materiais de propaganda necessários.
A
defesa da mulher afegã
e a luta pela derrota
dos imperialistas
e seus sócios
menores,
os capitalistas do Brasil
e da América Latina
Em sua guerra contra o Afeganistão, o imperialismo norteamericano
– apoiado pelas burguesias do Brasil e outros países latino-americanos
– tem tentado reforçar seu domínio em escala mundial em um
contexto de crescentes rivalidades interimperialistas. O interesse de todos
os explorados e oprimidos do mundo – incluindo os trabalhadores brasileiros
e nossos irmãos e irmãs de classe os trabalhadores na Ásia
e nos EUA – tem sido a derrota dos imperialistas e a defesa do Afeganistão
e o Iraque, países semi-coloniais.
O Afeganistão já tinha sido convertido em um inferno pelos
bandos contra-revolucionários criados com o apoio de Washington,
cujas vítimas principais têm sido as mulheres. “A situação
da mulher mostra o grau de progresso ou reação na sociedade.
Um caso horrível é o que está ocorrendo no Afeganistão
onde o triunfo dos reacionários anti-soviéticos financiados
pela CIA entre outras coisas trouxe a ilegalização da educação
para meninas, a demissão de todas as mulheres professoras e a escravidão
forçada do uso do véu” (da resolução do CLC
“Defesa dos direitos da mulher”, aprovada por grupo de trabalho no 10o
CECUT/RJ, julho/2000, e encaminhada ao 7o CONCUT). Contra toda a histeria
do mundo capitalista, os revolucionários, disseram: contra estesreacionários
inimigos da mulher, “Viva o Exército Vermelho no Afeganistão!
Estender as conquistas sociais da Revolução de Outubro aos
povos do Afeganistão!” A traição de Gorbachov e a
burocracia stalinista ao retirar as forças soviéticas do
Afeganistão foi uma das coisas que prepararam o caminho para a contrarevolução
capitalista na mesma URSS, que tem levado a grandes ataques contra os trabalhadores
ao redor do mundo, o que inclui ataques frontais contra os direitos da
mulher. Toda a “esquerda” brasileira (desde o PT até os antecessores
do PSTU, PCO, POR e outros) participou na histeria anti-soviética,
isto é, ajudou nos fatos aos inimigos das mulheres afegãs
e dos trabalhadores do mundo inteiro.
Hoje, com o cinismo típico da burguesia, os imperialistas e seus
sócios menores no Brasil e outros países têm “descoberto”
a situação terrível da mulher afegã – situação
criada pelas mesmas forças antes aliadas com Washington – para converter
este tema em uma bandeira a mais da suposta “guerra contra o terrorismo”
feita pelos maiores terroristas do mundo, os que jogaram bombas atômicas
contra Hiroshima e Nagasaki. Mas agora, sob o “governo” de seus novos títeres
reacionários em Kabul, a vida segue sendo um inferno para as mulheres
afegãs.
Ao mesmo tempo que as agências de notícias capitalistas
fazem seu trabalho de enganar mostrando fotos de algumas jovens sem véu
que querem entrar na universidade, foram as mesmas forças da “Aliança
do Norte” que expulsaram milhares de mulheres das universidades quando
estavam no poder antes do Talibã. Agora os novos dirigentes chicoteam
as mulheres que fazem mobilização por seus direitos. Em Kabul
em outras partes, as mulheres, com a exceção de algumas especialmente
corajosas, seguem sob a prisão portátil da burka (véu
que cobre todo o corpo e faz da mulher um ser sem cara). Elas caminham
ainda como sombras entre as ruínas das cidades e aldeias destruídas
pelas bombas dos aliados fundamentalistas do imperialismo durante 20 anos
e logo pela guerra atual dos imperialistas. Agora que a “liberdade” foi
supostamente realizada, os porta-vozes capitalistas dizem que as mulheres
usam a burka não devido ao terror do Talibã mas sim porque
elas supostamente decidem “livremente” cobrir-se com esta mortalha. Os
imperialistas “ganharam”, e as mulheres afegãs perderam de novo.
A luta pela emancipação da mulher afegã – e a luta
pela emancipação das massas de mulheres trabalhadoras no
Brasil – é inseparável da luta pela revolução
socialista internacional. Isto exige um combate frontal contra todas as
forças ligadas aos exploradores e opressores capitalistas, ou que
capitulam diante deles. Libertação da mulher mediante a revolução
socialista!
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DECLARAÇÃO
DE APOIO PARA A PARALISAÇÃO NO BRASIL
por Mumia Abu-Jamal, 9 de novembro de 1999
Irmãs, irmãos, amigos e camaradas no Brasil: Ona Move!
[saudação usada pelo grupo Move]
Agradeço as ações corajosas e principistas de vocês
em apoio à vida, a liberdade e a justiça. Lhes escrevo de
um país cuja existência é conhecida por muitos, mas
cuja realidade fica desconhecida seguramente para muitos de vocês.
Sabem que mais de 3.000 homens e mulheres, a maioria deles negros, aguardam
o extermínio nos corredores da morte dos EUA? Sabem que mais de
30 milhões de pessoas vivem na miséria horrível dentro
do país mais rico da Terra?
O corredor da morte, e a prisão, é um lugar reservado
para os pobres.
O fato de que vocês suspendem o trabalho em defesa de uma pessoa
de um lugar tão horrendo manifesta a força da solidariedade
humana de fronte da repressão estatal, e reflete nossa unidade.
Obrigado a vocês, lhes aplaudo; e lhes verei na liberdade! Ona Move!
Viva John Africa! |
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