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Combater os golpistas,
nenhum apoio político para Aristide! Organizar
uma resistência operária 28 de FEVEREIRO -
Durante as últimas três semanas, rebeldes direitistas
assassinos, lançaram um
golpe de estado armado contra o governo haitiano de Jean-Bertrand
Aristide. Não
deve haver nenhum equívoco sobre a natureza política
destes sinistros “insurgentes”:
seus líderes são ex-chefes de esquadrões da morte,
unidades policiais e do
exército, que massacraram milhares de pessoas quando eles
estavam no poder. Os
conspiradores golpistas são aliados de uma coalizão de
oposição supostamente
“democrática” que foi financiada pelo regime de Bush,
através do Instituto
Republicano Internacional. Em seu avanço as forças
militares rebeldes têm
conquistado uma cidade após outra com um contingente
relativamente pequeno,
houve pouca resistência e em alguns casos apoio da
população empobrecida,
abatida depois de anos de penúria e miséria. Este
é o resultado da política
econômica anti-operária de austeridade e
privatizações levada a cabo por
Aristide, sob as ordens do Fundo Monetário Internacional.
Contudo, na medida em
que forças militares se aproximam da capital, Porto
Príncipe, os residentes das
favelas e membros de “organizações populares” pró
Aristide montaram barricadas
como uma medida de autodefesa. Eles sabem bem que uma vitória
dos rebeldes
conduziria a um banho de sangue entre os pobres e trabalhadores. Apesar de que os
Estados Unidos têm posado de neutro neste conflito e o
próprio Aristide foi
instalado no poder mediante o envio de barcos de guerra
norte-americanos
ordenados pelo presidente Bill Clinton do Partido Democrata, a verdade
é que
este golpe tem sido claramente preparado por Washington. Recentemente,
vozes
particularmente de liberais do Partido Democrata tem pedido uma
intervenção
norte-americana no Haiti para respaldar o governo eleito de Aristide.
Não obstante,
agora que o Pentágono se prepara para enviar uma força
expedicionária, está
cada vez mais claro que sua prioridade é remover o presidente
haitiano. Além
disso, o governo francês pôs de lado suas diferenças
táticas com o EUA sobre a
invasão do Iraque e fez uma frente imperialista para se livrar
de Aristide.
Junto com os imperialistas de segunda categoria canadenses, os mestres
coloniais anteriores do Haiti propõem organizar uma
“força de pacificação
multinacional” em conjunto com marines norte-americanos que imporiam
uma nova
ocupação no Haiti, talvez sob a cobertura das
Nações Unidas. Trabalhadores,
minorias raciais, estudantes e todos os oponentes ao imperialismo –
particularmente nos Estados Unidos, França e Canadá –
deveriam mobilizar para
se oporem esta intervenção imperialista, quaisquer que
sejam seus propósitos
declarados. Esta luta deve incluir ações de trabalhadores
aonde for possível
bloquear o envio de materiais aos invasores. Imperialistas fora do
Iraque,
Afeganistão e Haiti! Ao mesmo tempo, é
preciso que os trabalhadores haitianos não dêem nenhum
apoio político ao regime
de Aristide. O ex-padre católico partidário da
Teologia da Libertação foi
durante muito tempo um instrumento de dominação do
imperialismo no Haiti.
Depois de ter sido eleito com uma maioria expressiva de votos em 1990,
foi
destituído por algumas das mesmas forças que estão
retornando agora. Ele passou
vários anos no exílio em Washington, onde ele se
converteu em protegido de
congressistas negros do Partido Democrático e contou com a
assessoria da
administração Clinton. Ele foi reinstalado no governo
haitiano pelo EUA em
1994; chegou no Haiti em um avião junto com Secretário de
Estado Warren
Christopher, enquanto cruzadores da Marinha norte-americana faziam um
espetáculo
de músculos nas águas de Porto Príncipe. Uma vez
de volta, ele seguiu as ordens
de Washington e Wall Street e privatizou uma série de
indústrias, ao mesmo
tempo conduziu demissões de milhares de trabalhadores. Devido
às políticas de
austeridades ditadas pelo FMI, a miséria das massas
aprofundou-se ainda mais e
o desemprego está calculado agora acima de 70 por cento. Agora
Aristide está
colhendo os frutos amargos por ter sido capacho do imperialismo: os
amos
descartam seus servos quando estes não são mais
úteis, tal como fizeram em 1990
com o outrora homem da CIA Manuel Noriega, no Panamá. A imprensa
imperialista seguindo submissa às ordens da Casa Branca em
Washington e o
Palácio de Elysée em Paris, retratam o regime de Aristide
quase por unanimidade
como uma ditadura de assassinos criminosos (enquanto permanecem em
silêncio
acerca dos assassinos que estão organizando para darem um golpe
de estado em
nome da “democracia”). Na realidade, o avanço rápido dos
rebeldes se deve ao
fato de que Aristide dissolveu o exército e não têm
mais que 5.000 policiais
armados somente com armas ligeiras (entre os quais encontra-se a
maioria dos 80
mortos da revolta direitista até o momento). Mas a
destruição virtual da
economia haitiana significou que, aparte do tráfico de droga, a
única fonte de
riqueza do país é o próprio governo, com a magra
arrecadação de impostos e a
minguante ajuda internacional. Isto tem dado como resultado uma
sórdida batalha
pelo controle da máquina governamental entre bandos rivais, por
um lado às milícias
pró Aristide chamadas chimères, e por outro os
remanescentes dos tontons
macoutes da ditadura de François (“Papa Doc”) e Jean-Claude
(“Baby Doc”)
Duvalier que governou o país desde 1950 até 1986 com o
beneplácito (e o
dinheiro) de Washington. Nos meses
recentes a situação no Haiti se parece cada vez mais a da
Jamaica nos anos 70,
quando o PNP (Progressive National Party) de Michael Manley
enfrentou-se com o
JLP (Partido Trabalhista Jamaicano) de Edward Seaga, produzindo
freqüentemente
tiroteios entre os residentes de urbanizações controladas
por quadrilhas
políticas rivais. No extremo, esta situação
poderá conduzir a um colapso total
do estado, tal como ocorreu na Somália no começo dos anos
90. Muitas das
queixas acerca de uma brutal
repressão lançada pelo governo do populista Aristide
vêm da oposição
frentepopulista que agrupa esquerdistas e social-democratas como
Gérard
Pierre-Charles (ex-dirigente do Partido Comunista do Haiti e hoje
dirigente da
Convergência Democrática) e sindicalistas, por um lado e
por outro burgueses
como Andy Apaid (um patrão das fábricas do suor nascido
nos EUA que dirige o
“Grupo dos 184”). Esta aliança de colaboração de
classes se assemelha a
oposição pró-imperialista ao governo populista do
homem forte venezuelano Hugo Chávez
– e de fato, tem usado muita das mesmas táticas (incluída
uma falida “greve
geral” que foi na realidade, um locaute, a
paralisação patronal
convocada pela câmara de comércio e que contou com a
colaboração dos falsos
dirigentes sindicais pró-capitalistas). Ainda que se disfarce
como
representante da “sociedade civil”, a oposição
política é nos fatos um veículo
da elite burguesa e pequeno-burguesa, predominantemente mestiça,
que se
congrega no acomodado subúrbio de Pétionville, que
enxerga a si mesma como
recuperando o poder que haveria perdido aos empobrecidos negros das
favelas
como Cité Soleil. As manifestações rivais
têm a aparência de um choque entre
“os que têm” e “os que não têm”. De
sua parte, os líderes dos militares rebeldes são
assassinos de massa
reconhecidos. Entre os principais dirigentes se encontram Jean Tatoune
do
esquadrão da morte eufemisticamente conhecido como a Frente para
o Avanço e o
Progresso do Haiti (FRAPH); Louis Jodel Chamblain, quem dirigiu os
esquadrões
da morte paramilitares que assassinaram centenas de pessoas durante o
regime de
Raul Cedras de 1991-1994; Guy Philippe ex-chefe de polícia da
cidade
Cap-Haitien é filho de um latifundiário cafeicultor que
“que fez treinamento em
uma academia militar no Equador depois que Aristide dissolveu o
exército, onde
recebeu instruções de soldados franceses e do
serviço secreto dos EUA” (Guardian
[Londres] 27 de fevereiro).Reconhecido assassino sanguinário Louis Jodel Chamblain (esquerda) consulta com Guy Philippe, entrenado pelo Serviço Secreto dos EUA na academia militar em Equador. EUA impõe novamente uma “democracia dos esquadrões da morte” em Haiti. (Foto: Haïti-Progrès) Nos EUA vários
agrupamentos
pseudoesquerdistas estão dando apoio político a Aristides
e seu partido Lavalas
(avalancha na língua créole) por ser vítima de uma
intriga imperialista. De
fato muitos desses grupos, como o Workers World Party e o Socialist
Workers
Party têm sido aliados do porta-voz de Aristide em Nova Iorque,
Ben Dupuy
ex-diretor do jornal Haïti-Progrès e que dirige
agora o PPN (Partido
Popular Nacional) pró Aristide. Mas Aristide não é
nenhum antiimperialista.
Pelo contrário, foi um homem do Partido Democrata
norte-americano em Porto
Príncipe e que recebeu um forte apoio de congressistas
democratas negros como
Charles Rangel de Nova Iorque, Maxine Waters de Los Angeles e Barbara
Lee de
Oakland. Agora os republicanos querem trazer de volta seus homens, de
modo que
rapidamente reaparecem forças militares e policialescas que
voltam do exílio do
outro lado da fronteira da República Dominicana. Os
trabalhadores e pobres
do Haiti de outros países não devem dar apoio
político a nenhum dos partidos
nesta luta entre um desgastado regime populista instalado pelos
imperialistas e
uma esqualida oposição de frente antipopular respaldada
pelo imperialismo. Os
chimeres de Aristide, recrutados entre o lumpemproletariado dos
desempregados, atacariam os revolucionários proletários
com o mesmo afã como
golpearam os estudantes e manifestantes da “sociedade civil”. Contudo, frente à
ameaça de um
regresso dos esquadrões de morte e dos assassinos de massas da
polícia e do
exército, os trabalhadores e camponeses haitianos devem tentar
organizar seus
próprios órgãos classistas de autodefesa, fazendo
um bloco militar temporal com
as “organizações populares” que apóiam Aristide
para parar a marcha da reação
ultradireitista. Na Rússia em agosto de 1917, o débil
governo burguês liderado
por Aleksander Kerensky foi atacado pelo ex-general czarista Kornilov,
que
marchou sobre Petrogrado com seu exército. Os bolcheviques
não deram nenhum
apoio político a Kerensky, cujo governo provisório havia
aprisionado Trotsky e
obrigado Lênin a passar para a clandestinidade. Não
obstante, os bolcheviques
compreenderam que uma vitória de Kornilov teria significado a
aniquilação dos
operários revolucionários na capital, assim como a
derrota da revolução. Em
conseqüência, as milícias operárias e os
soldados dirigidos pelos bolcheviques
fizeram um bloco militar com as forças de Kerensky, ainda que
seguiram opondo-se
politicamente nos soviets. Isto permitiu aos revolucionários
mobilizar a massa
de trabalhadores na luta contra a contra-revolução que se
avizinhava, abrindo
assim o passo para a vitória da Revolução de
Outubro tirar dois meses mais
tarde. Na Guerra Civil Espanhola na
segunda metade dos anos 30, Trotsky fez um chamado aos operários
que combateram
militarmente em colaboração com o Exército
Republicano e as milícias esquerdistas
contra o exército de Franco e os fascistas, enquanto seguiam
lutando politicamente
a favor da revolução proletária contra o governo
republicano burguês. Não
obstante, graças à traição dos dirigentes
operários reformistas (stalinistas,
social democratas e anarquistas), o governo da Frente Popular esmagou
as
mobilizações operárias, prendendo e assassinando
combatentes esquerdistas,
preparando deste modo o caminho para a vitória de Franco, com um
saldo de
dezenas de milhares de execuções. Todavia não fica
claro se a luta poderia
alcançar o nível de uma guerra civil no Haiti, ou se ao
contrário as massas, em
sua grande maioria desarmadas, tem sido desmoralizadas pelo regime de
Aristide,
a tal grau que se mantém passivas. Porém inclusive em
situações extremamente
desfavoráveis, os comunistas devemos dizer a verdade e assinalar
o caminho até
adiante para intervir independentemente das contendas entre as
facções
burguesas e liderar uma luta de classe revolucionária.
Isso inclui fazer
convocações a favor da formação de
milícias operárias e camponesas, o controle
operário das fábricas e empresas que ainda existem (a
companhia telefônica, o
transporte), a expropriação das propriedades cafeeiras e
o estabelecimento de
granjas coletivas que superariam a devastação
ecológica e ressuscitaria a
produção agrícola. Sobretudo, é
necessário formar
um partido revolucionário construído sobre a base do
programa trotskista da
revolução permanente, transformando a luta por conquistas
democráticas em luta
pelo poder operário, por um governo operário e
camponês que empreenda tarefas
socialistas e estenda a revolução internacionalmente. Na
vizinha República
Dominicana, os sindicatos têm convocado uma greve geral para
meados de março em
oposição ao governo pró-imperialista de
Hipólito Mejía, o qual tem implementado
as mesmas políticas antioperárias de Aristide. Esta
é a terceira “greve geral”
dominicana em três meses. Durante a última, de 29 a 30 de
janeiro, o governo
deteve centenas de sindicalistas e esquerdistas, enquanto que soldados
recém
chegados do Iraque, onde serviram como auxiliares neocoloniais na
ocupação norte-americana,
executaram a sangue frio nove grevistas. Estas “greves gerais” apenas
são um
pouco mais que protestos simbólicos, quando se precisa de uma
mobilização
massiva da classe operária contra o governo de Mejía e
seus patrões
imperialistas. Um combativo movimento operário na
República Dominicana
bloquearia a transferência de tropas nas zonas
fronteiriças e impediria os
abastecimentos que estão sendo enviados aos rebeldes direitistas
haitianos.
Também defenderia os operários haitianos nas
plantações de cana de açúcar
dominicana, aos quais trabalham em infames condições
próximas a escravidão
enquanto são subjugados pela repressão racista policial e
militar. Porém os passos decisivos
para
defender as empobrecidas massas trabalhadoras haitianas devem
empreender-se nos
Estados Unidos. Só na sociedade de Nova Iorque têm em
média meio milhão de
imigrantes haitianos, trabalhadores em sua imensa maioria, que
têm mostrado sua
força ao marchar de vez em quando por Wall Street. O movimento
operário
nova-iorquino deve unir-se em oposição a toda
intervenção norte-americana no
Haiti, qualquer que seja seu pretexto e suposto propósito. Ao
mesmo tempo, deve
exigir que EUA abra suas fronteiras aos refugiados haitianos (ontem,
guarda
costas dos EUA levaram 531 balseiros haitianos a Porto Príncipe,
onde
enfrentaram o terror do exército dos esquadrões da morte
que se aproxima).
Deveria exigir a independência de Porto Rico, a principal base
militar dos EUA
no Caribe, e das colônias francesas; a devolução da
base naval de Guantanamo a
Cuba e a liberação das centenas de prisioneiros ali
reclusos; e defender Cuba
contra as ameaças imperialistas. Terá que romper com
partidos imperialistas da
guerra, o Democrata e o Republicano, e com todos os partidos burgueses,
para
construir um partido operário revolucionário que
faça parte de uma IV
Internacional reforjada, que seja capaz de varrer com o imperialismo
mediante
uma revolução socialista internacional! Na Revolução Haitiana de 1791-1804, uma revolta de escravos dirigida por Toussaint Louverture enviou ondas de choque ao longo do Caribe, isto fez tremer a escravatura do Sul nos EUA e afetou o curso da Revolução Francesa. A criação da primeira república negra da América constituiu um importante episódio da era das revoluções democráticas burguesas. Napoleão mandou assassinar Toussaint, entretanto tropas francesas reocuparam em vão a colônia de Saint-Domingue. Inclusive depois da independência do Haiti, a república negra de ex-escravos foi economicamente estrangulada, cercada e boicotada pelas potencias capitalistas, afundando o país na miséria que mantêm até os dias de hoje como o país mais pobre do hemisfério. Entretanto os portavozes norte-americanos falam com suficiência de “estados falidos” para justificar sua nova empresa colonialista, o fato é que os imperialistas ianques têm feito seu melhor esforço para destruir o Haiti. Isto não poderá reparar-se mediante uma quixotesca demanda por reparações a seus antigos amos coloniais. Mas inclusive nas desesperadas condições atuais, além de uma faísca de uma nova rebelião que desencadeie um levante operário em toda a ilha Espanhola, poderia novamente incendiar as Antilhas, assentando as bases para uma federação socialista do Caribe, e ser um faro revolucionário para o mundo! n
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