Nº 4,  janeiro-abril de 1999

Defender o Iraque
contra o ataque imperialista norte-americano

É o dever urgente dos trabalhadores do Brasil e do mundo inteiro defender o Iraque contra o ataque sanguinário do imperialismo ianque. Os assassinos imperialistas têm lançado uma chuva de morte com mísseis e bombas contro o povo iraquiano, após anos de "bloqueio" de fome e meses de ameaças e jogos diplomáticos com a cobertura da ONU. Esta agressão é um caso claro do uso do poder imperial para tentar esmagar um país semicolonial e fortalecer o papel da burguesia norteamericana como polícia do mundo. As declarações cínicas de Bill Clinton não podem cobrir isto nem o fato óbvio de que ele lançou a agressão no momento mais crítico de sua crise política em Washington. Para a classe operária, é questão urgente mobilizar o poder classista dos trabalhadores para defender as vítimas desta aggressão imperialista, em protestos, greves e o boicote operário de quaisquer materiais de guerra para o exército imperialista. 

Com incrível hipocrisia os imperialistas dos EUA – que usaram bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki e assassinaram milhões de coreanos e vietnamitas (usando armas químicas entre outras) – falam de "armas de destruição em massa". Com incrível cinismo eles e seus comparsas locais fazem discursos sobre os "direitos humanos" – neste momento mesmo, estão aumentando a pressão para executar o jornalista negro radical Mumia Abu-Jamal na Pensilvânia pelo "delito" de suas idéias e atividades políticas. Também tentam fazer uma histeria racista contra os árabes, como mostra o filme "Nova Iorque sitiada", atualmente muito divulgado no Brasil. Como sublinhou a resolucão de fevereiro do Comitê de Luta Classista pela ação operária contra a agressão imperialista ao Iraque, uma mobilização do poder operária materializaria a palavra-de-ordem: "Trabalhadores do mundo uni-vos!" e deve estender-se em particular a nossos irmãos operários dos Estados Unidos. 

Nos EUA, nas "entrahas do monstro", as palavras-de-ordem levantadas nos protestos atuais por nossos camaradas do Grupo Internacionalista (que, como a LQB, é seção da Liga pela IV Internacional) incluem as seguintes: "Defender o Iraque contro o ataque imperialista norte-americano! O Partido Democrata e o Partido Republicano assassinam iraquianos e impõem a fome contra mães e crianças no welfare" [sistema de previdência social dos EUA]. Construir um partido operário revolucionário! Pela ação operária contra a guerra imperialista! Clinton é um criminoso de guerra! Liberdade para Mumia Abu-Jamal!" 

No Brasil, FHC e a burguesia "nacional" sócio menor do imperialismo e serviçal do FMI, estão realizando uma investida de fome e demissões contra os explorados, enquanto a frente popular "União do Povo" sabota as necessárias mobilizações proletárias fazendo "união" com um setor dos exploradores. Seu sistema de exploração capitalista significa desemprego, terror policial racista, opressão da mulher, chacinas contra os sem-terra, assassinatos de índios e de homossexuais. Só a revolução socialista pode pôr fim a este sistema de oppressão e terror, destruindo o imperialismo mediante a derrubada do capitalismo mundial; a mobilização proletária contra a agressão imperialista atual é parte desta luta. O proletariado pode usar seu enorme poder só se conquistar sua independência politíca total frente a todos os burgueses, incluindo o ex-aliado dos EUA, Saddam Hussein. Como escrevemos no Vanguarda Operária (abril-julho de 1998): 

"A classe operária brasileira não pode permitir que FHC brinde com o sangue da população iraquiana seu pacto de classe com a burguesia norte-americana. 
"Levantamos a bandeira do internacionalismo proletário contra o nacionalismo burguês como o árabe, sionista e outros que só dividem os trabalhadores e lutamos pelos Estados Unidos Socialistas do Oriente Médio. Ao mesmo tempo que defendemos o Iraque contra o imperialismo norte-americano, condenamos a opressão de Saddam Hussein sobre os curdos. Só o proletariado árabe, curdo, judeu, iraquiano e das demais nações oprimidas da região será capaz de libertar o Oriente Médio do jugo imperialista e das burguesias nacionalistas da região, lutando para reforjar a IV Internacional, partido mundial da revolução socialista com a bandeira da revolução permanente para os países pobres e semicoloniais. O proletariado dos países imperialistas devem lutar contra suas próprias burguesias e exigirem: imperialismo ianque, tire as mãos do Iraque! Fora do Golfo Pérsico!"
Os jovens que querem lutar contra a opressão capitalista devem juntar-se aos trabalhadores com consciência de classe nesta luta para mobilizar o poder do proletariado internacionalmente. Defender o Iraque contra o ataque do imperialismo norte-americano! Forjar um partido operário revolucionário! Trabalhadores do mundo uni-vos!

– 18 de dezembro de 1998, Liga Quarta-Internacionalista do Brasil/seção da Liga pela IVe Internacional 
 
Boletim publicado em fevereiro de 1998 e reproduzido
no jornal Vanguarda Operária n° 3 de abril-julho de 1998

Comitê de Luta Classista

Que a CUT rompa com a burguesia!

Resolução pela ação operária
contra a agressão imperialista ao Iraque!

Nota ao movimento operário do Brasil e do mundo, 
Volta Redonda, fevereiro de 1998.

Considerando que os trabalhadoes de todo o mundo devem unir suas ações e suas lutas de classes contra os exploradores sob o princípio maior do internacionalismo proletário; 

Considerando que o imperialismo e a burguesia do mundo inteiro, incluindo o Brasil e seus sócios do Mercosul, tentam destruir todas as conquistas da classe operária e dos oprimidos após a restauração capitalista na União Soviética e no contexto do crescimento das rivalidades inter-imperialista; 

Considerando que o governo FHC tem lançado os planos de forme do FMI imperialista, fazendo "privatizações" para doar indústrias e riquezas aos grandes empresários nacionais e seus sócios os banqueiros imperialistas, atacando o funcionalismo público, mandando o exército para esmagar a greve dos petroleiros, mandando a polícia, braço armado dos patrões, contra os portuários de Santos para destruir seus direitos e sindicatos, massacrando os sem-terra, fazendo o arrocho salarial e demissões contra os metalúrgicos, da VW, aumentando o racismo e todo tipo de opressão em "parceria" com os outros burgueses regionais no Mercosul; 

Considerando que é dever e questão de vida ou morte para a classe operária opor-se ao imperialismo e defender as vítimas semi-coloniais da oppressão e agressão imperialista, e que só a classe operária pode dirigir uma verdadeira luta contro o imperialismo e toda a exploração capitalista em total independência de todos os burgueses e opressores (seja FHC ou Saddam Hussein), pela qual a classe operária tem o dever de defender o Iraque contra o ataque imperialista; 

Resolvemos que os trabalhadores brasileiros devem organizar ações operárias contra qualquer ataque imperialista ao Iraque: protestos, greves e o boicot operário de quaisquer materiais de guerra para o exército imperialista; convocar nossos irmãos trabalhadores da Argentina a fazerem o boicote operário contra o escandaloso apoio material do governo Menem à agressão imperialista, e convocamos nossos irmãos operários dos Estados Unidos a utilizarem seu poder de classe contra a agressão imperialista. Esta posição não deve ser apenas da CUT e todos os sindicatos, mas também deve ser materializada de uma forma concreta nos distintos setores dos oprimidos e explorados. 


 

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