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boletim informativo nº 12, setembro de 2001 Depois do ataque indiscriminado
EUA
fomenta frenesí de guerra imperialista,
Derrotar
a campanha de guerra dos EUA e a OTAN!
Declaração do Grupo Internacionalista, seção norte-americana da Liga pela Quarta Internacional (LQI) Os jornais da burguesia gritam “guerra”. As redes de televisões proclamam em uníssono “Estados Unidos sob ataque”. Os governantes capitalistas dos Estados Unidos batem os tambores da agressão imperialista e a repressão interna após os ataques coordenados da manhã de 11 de setembro, em que aéro-seqüestradores usaram aviões de passageiros para atingir as Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York, assim como o Pentágono nos arredores de Washington. Os políticos burgueses e a mídia capitalista marcham ombro a ombro em demandas de sangrentas represálias contra qualquer que se eleja como alvo quando o império norte-americano contra-atacar. O presidente George Bush filho jura ganhar um “novo tipo de guerra”, e porta-vozes do alto escalão norte-americanos chamam a “exterminar com os Estados que protegem o terrorismo” e a realizar um “ataque global” ininterrumpido contra qualquer um que classifiquem como partidário deste. A “defesa dos direitos humanos” foi o grito de guerra dos imperialistas norte-americanos e europeus quando fizeram chover bombas e terror contra Iugoslávia em 1999; hoje o lema é o “antiterrorismo” entretanto o bando criminoso que lançou a Chacina no Deserto (a operação “Tempestade no Deserto”, 1990-1991) contra Iraque se prepara para apagar do mapa países semicoloniais, assim como outros em que o domínio capitalista tem sido derrotado. O Grupo Internacionalista, seção norte-americana da Liga pela Quarta Internacional, chama à classe operária em todo o mundo a combater e derrotar a campanha imperialista de guerra e repressão. Enquanto os EUA se preparam para invadir o Afeganistão, nós revolucionários o defendemos, defendemos também o Iraque e a qualquer outro país atacado pelos aspirantes à policiais globais da Nova Ordem Mundial dirigidos por Bush e Cia – que são, de muito, os maiores assassinos de massas que existem neste mundo. Enquanto que o governo de Israel aproveita a frenesi de Washington para intensificar a guerra contra a sofrida população dos Territórios Ocupados, devemos intensificar também nossa defesa do povo palestino. Exigimos, fora do Oriente Médio e o Sul da Ásia todas as forças armadas dos EUA! E enquanto a histeria bélica estimulada pelas mídias capitalistas leva, nos EUA e Europa, à xenofobia antiárabe e a ataques contra os imigrantes (junto com outros que “parecem estrangeiros”), fazemos um chamado aos operários com consciência de classe para defenderem estas vulneráveis minorias contra os ataques chauvinistas, inclusive mediante a defesa física organizada de suas casas, lojas e bairros. Quando as torres do World Trade Center se queimavam para depois se desmoronar, angustiados trabalhadores em toda Nova York (muitos deles negros e imigrantes) tentaram desesperadamente saber se seus familiares e companheiros de trabalho estavam a salvo. Nós revolucionários proletários nos opomos categoricamente ao terror indiscriminado utilizado pelos seqüestradores, que ao assassinar grotescamente milhares de trabalhadores, implicitamente os igualam ao governo dos Estados Unidos que oprime a classe operária e as minorias nos EUA, junto com povos em todo o mundo. Todavia, representam um perigo muito maior para a humanidade os imperialistas dos EUA e a OTAN, que são responsáveis por milhões de mortes de pessoas inocentes em todo o mundo para assegurar sua exploração do planeta inteiro. Estes terroristas de estado estão armados até os dentes com armas nucleares, biológicas e químicas. O governo norte-americano usou estas armas de destruição massiva no passado, enquanto soltava verborragia acerca da “democracia”, e as voltará a usar, ao mesmo tempo em que suas forças da “lei e da ordem” impõem o terror racista policial dentro do país. Os Estados Unidos têm sido os únicos que usaram armas atômicas em uma guerra, quando arrasaram Hiroshima e Nagasaki da face da terra, incinerando mais de 200.000 civis inocentes em agosto de 1945. Isto ocorreu depois de fazer chover sobre Tóquio bombas incendiárias (matando 100.000 pessoas em um só ataque), e também sobre Hamburgo (50.000 mortos) e Dresden (225.000). Nenhum destes ataques estava dirigido contra alvos militares, senão que abertamente tiveram o propósito de aterrorizar a população civil. As forças dos EUA infligiram mais de um milhão de mortos ao povo coreano durante a Guerra da Coréia. Na Guerra do Vietnam, os EUA lançaram enormes quantidades de bombas, napalm e agente laranja, matando mais de dois milhões de vietnamitas no curso de sofrer uma humilhante derrota da parte dos heróicos camponeses e operários combatentes da Indochina. No Iraque, o bombardeio deliberado de obras hidráulicas e plantas elétricas seguido de uma década de brutais “sanções” econômicas, têm causado a morte de mais de um milhão de crianças. Assim também, enquanto continuam os bombardeios contra o Iraque com o pretexto de que Bagdá poderia desenvolver armas químicas e biológicas, foi confirmado que os EUA não só tem um enorme arsenal de tais armas, senão que está desenvolvendo variedades mais poderosas de antraz e outros agentes mortais. Israel, aliado dos EUA, tem também armas químico-biológicas e é hoje a terceira potência nuclear no mundo. Imperialistas usam o “antiterrorismo” para aterrorizar aos oprimidos Enquanto se preparam para a guerra, os governantes americanos “asseguram” primeiro a frente interna. Esquadrões “antiterroristas” do FBI se têm distribuído em todo o país; vários cruzamentos fronteiriços com México e Canadá foram fechados e aviões de combate foram postos sobre as principais cidades dos Estados Unidos. Unidades do exército norte-americano foram mobilizadas nas ruas de Washington, elementos da Guarda Nacional “patrulhavam” em veículos artilhados nas zonas confinantes a Wall Street, assim como no condado do Brooklyn. A população civil, a maior parte da qual jamais havia visto o exército assim mobilizado exceto em operações de resgate em desastres naturais – e na supressão de revoltas nos guetos (bairros negros) – foi dada uma idéia do que é um estado de sítio. O cerco em torno da parte Sul de Manhattan, supostamente para permitir o livre trânsito de veículos de resgate e emergência (dos quais havia só alguns), fez as pessoas da classe média acostumar a viver sob o cerco policial. A policia de Nova York, que cometeu o assassinato racista do imigrante africano Amadou Diallo, tenta agora ocultar seus crimes sob o manto da “luta contra o terrorismo”. É claro que os ataques suicidas dos aéro-seqüestradores fizeram o jogo dos imperialistas norte-americanos, que exploram cinicamente a profunda angústia das famílias dos mortos. Washington tenta fazer lavagem cerebral na população para que esta apóie sua campanha de guerra ao afirmar que “todos os norte-americanos” são alvo de desiquilibrados terroristas com bombas. Enquanto se arremeteu contra o centro do poderio militar dos EUA, o Pentágono, junto com as Torres Gêmeas de Nova York, liricamente descritas na imprensa burguesa como “ícones do sonho americano”, o fato é que mais de 40.000 trabalhadores trabalhavam diariamente em empresas comerciais e financeiras no World Trade Center. O ataque contra o WTC foi calculado exatamente para garantir que perecessem muito desses trabalhadores (entre eles árabes, mulçumanos e asiáticos). Os marxistas sempre nos temos oposto ao terror individual, um método baseado no desespero que somente consegue frear a mobilização do enorme poder da classe operária contra os exploradores. Além disso, um ataque indiscriminado como este, que golpeia à toa à população em geral, se dirige contra a própria classe operária. Além disso, o ataque causa danos diretamente ao povo palestino que luta desesperadamente contra a máquina militar de Israel com pouco mais que pedras e alguns rifles automáticos Kalashnikov (AK-47). Informou-se que nas primeiras horas depois do ataque, alguns palestinos da Cisjordânia aplaudiram os ataques contra o World Trade Center. Depois de permanecer meses encerrados sob a bota militar enquanto que centenas de meninos palestinos têm sido assassinados por soldados israelenses a sangue frio, e depois de duas décadas e meia de brutal ocupação sionista, alguns membros deste povo profundamente oprimido podem saudar tudo o que lhes pareça ser um golpe contra a potência que está por detrás de seu opressor. Porém esta reação nacionalista visceral já tem sido cinicamente usada pelo chefe israelense Ariel Sharon (que é responsável da matança em 1982 de mais de 2000 palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Shatila) para tentar minar o apoio internacional aos palestinos. Da mesma forma, os dirigentes israelenses exploram os indiscriminados bombardeios suicidas dentro de Israel para atar os operários hebreus a seus exploradores. O antidemocrático e racista estado sionista deve ser derrubado desde dentro, mediante a luta de classes árabe/hebréia, apoiada pela solidariedade operária internacional. A Liga pela Quarta Internacional luta por uma república operária árabe/hebréia como parte de uma federação socialista do Oriente Médio. Bin Laden: “Frankenstein criado pela CIA” Washington tem assinalado a Osama bin Laden como o “principal suspeito” do plano de ação do ataque de 11 de setembro, ao mesmo tempo em que tem afirmado que uma operação baseada em tão complicada coordenação deve ter contado com apoio estatal. De qual estado? Tem-se informado que Bin Laden se encontra no Afeganistão. Desde a retirada das forças soviéticas em 1989, um fator chave na preparação da destruição contra-revolucionária da União Soviética, este não-estado tem sido cenário de combates constantes entre uma série de reacionárias forças fundamentalistas islâmicas. Hoje em dia está dominado pelo Talibã, um grupo de mulahs de fundamentalismo extremo auspiciado pelos serviços de inteligência militar do Paquistão. Os governantes dos EUA gostam de apresentar seus adversários como a personificação do “mal” (como na designação que Reagan fazia da URSS como o “império do mal”). Hoje é Bin Laden, a quem ligam ao ataque com bomba contra o World Trade Center em 1993, aos ataques de 1996 contra norte-americanos na Arábia Saudita, ao bombardeio de embaixadas americanas na África em 1998, ao ataque no ano 2000 contra o contratorpedeiro norte-americano Cole em Yemem, e agora ao ataque contra o WTC e o Pentágono. Qualquer que seja o papel que este milionário e fundamentalista islâmico saudita possa ter jogado, foi o governo dos Estados Unidos que converteu Bin Laden no que é. Durante os anos 80, quando a CIA recrutou, treinou, financiou e armou forças reacionárias, nos dez anos de guerra contra a União Soviética no Afeganistão, Bin Laden foi um dos homens da CIA. Washington gastou bilhões de dólares nesta operação contra-revolucionária, enquanto que a Arábia Saudita injetava vários bilhões a mais. Os fundamentalistas islâmicos chegaram em massa ao Afeganistão para unir-se a jihad (guerra santa) contra os “infiéis” soviéticos. Entre eles se encontrava Bin Laden. Um artigo do New York Times (14 de setembro) assinalava com eufemismo que “os Estados Unidos trabalhou junto com ele para ajudar a expulsar os russos do Afeganistão”. O fato é que a CIA construiu os campos de Bin Laden nas montanhas próxima do povo de Khost, os quais atacou com mísseis cruzeiros em 1998 após as explosões contra as embaixadas norte-americanas na África (New York Times, 24 de agosto de 1998). Além disso, “Osama bin Laden foi empregado pela CIA como um dos principais agentes de recrutamento, como foi o caso também do clérigo egípcio Sheik Omar Abdul Rahman, que foi preso pelo atentado de 1993 contra o World Trade Center”, de acordo com o colunista Eric Margolis (Toronto Sun, 30 de agosto de 1998). Após a retirada das tropas soviéticas em 1989, os “guerreiros santos” árabes que Bin Laden havia recrutado se espalharam pelo Oriente Médio e o Norte da África, com o alvo posto agora em Washington. “Criamos um quadro completo de gente treinada e motivada que se voltou contra nós. É uma situação clássica do monstro Frankenstein”, se lamenta um alto funcionário norte-americano (Guardian, 17 de janeiro de 1999). Durante a década de guerra no Afeganistão, foi necessário estar solidamente do lado do exército soviético em sua luta para defender à URSS contra o ataque contra-revolucionário armado, financiado e treinado pelos EUA. Enquanto que os trotskistas revolucionários dizíamos “Viva o Exército Vermelho no Afeganistão!”, toda uma série de social-democratas, “eurocomunistas” e pseudotrotskistas se uniram à gritaria imperialista. Após a vitória dos muyajedin (guerreiros santos) da CIA, Kabul foi bombardeada até ser feita em pedaços pelos reacionários islâmicos em contenda, o país se viu castigado pela fome e se afundou em uma pobreza indescritível. As mulheres que estudavam na universidade e trabalhavam como professoras nas escolas têm sido envolvidas na burqa, o véu impenetrável que cobre da cabeça aos pés, proscritas do trabalho e condenadas à prisão domiciliar da purdah (isolamento forçoso). A sharia (lei islâmica) medieval foi imposta por um regime de profunda reação social, e os mulçumanos não sunitas foram subjugados. Estes são os frutos amargos da campanha bélica anti-soviética. A anunciada ocupação de Kabul pelas mãos de Washington (em aliança com a Rússia, agora capitalista) em sua campanha antiterrorista somente poderá afundar o Afeganistão ainda mais profundamente na miséria que os EUA criaram. O inferno afegão foi criado pelos EUA. Exigimos: Fora Estados Unidos! Guerra e repressão A máquina de guerra corre em alta velocidade. Cinqüenta mil reservistas do exército serão convocados. Não importa que não se pode dizer contra qual país se dirige (“primeiro temos que acumular evidências” diz o secretário de estado Colin Powell, que como chefe do Pentágono ordenou o bombardeio de abrigos antiaéreos cheios de civis na Guerra do Golfo Pérsico); as equipes encarregadas de selecionar alvos trabalham a todo vapor. Congressistas exigem que seja retirada a suposta proibição que têm os agentes das agências de espionagem norte-americanas de levar a cabo assassinatos, para que assim possam atuar como seus colegas israelenses na Cisjordânia. De forma instantânea a OTAN invocou o artigo cinco da Carta do Atlântico, que autoriza ações militares. Onde? Em qualquer parte que Washington o decida. Uma lei para autorizar a guerra se cozinha no Congresso. Em comparação até com a “Resolução do Golfo de Tonkin” de 1964 que dava luz verde à intensificação da guerra suja dos EUA no Sudeste Asiático, esta será uma licença geral para agressões militares ao redor do mundo e dentro do próprio país. Em breve serão enviadas as primeiras unidades da Força Delta do exército e os equipamentos SEAL da armada, seguidos por ataques de helicópteros com artilharia AC-130, tropas terrestres, porta aviões, bombardeiros A-10 e F-117. Entre as mídias e os políticos burgueses têm sido comum comparar o ataque contra o WTC com o de Pearl Harbor. O propósito é trazer de volta imagens da “boa guerra” (a Segunda Guerra Mundial) para enterrar recordações do Vietnã e intensificar a histeria do patriotismo. Porém, apesar de todas as referências a um “ataque surpresa”, o fato é que Washington sabia bem da possibilidade de um ataque japonês em dezembro de 1941 contra sua frota no Pacifico. Necessitava um pretexto (casus belli) para entrar na guerra imperialista. Defendendo à União Soviética, os trotskistas assumiram firmemente a posição de derrotismo revolucionário frente aos dois campos imperialistas nesta guerra sobre a possessão de colônias e a dominação do mundo. Hoje em dia, lutamos para derrotar a nova campanha de guerra imperialista e para defender aos países ameaçados pelos EUA e a OTAN. Dirigentes norte-americanos têm deixado bem claro que não se contentarão com uma ocupação de Kabul. Em agosto, se levou a cabo uma simulação bélica secreta do Pentágono (“Positive Match”) no que “se provou se as forças armadas poderiam derrotar um adversário potencial, Coréia do Norte, enquanto se rechaçava um ataque do Iraque” e “ocorria outro evento, como um ataque terrorista contra Nova York com armas químicas, tudo acontecendo ao mesmo tempo” (New York Times, 7 de setembro). Os EUA “ganharam” a simulação computadorizada. Os planos de Bush para construir um “escudo antimíssil” têm na realidade o propósito de brindar uma cobertura para uma invasão norte-americana contra os que os Estados Unidos designam “estados delinqüentes”, assim como para derrubar satélites chineses ou russos em uma confrontação militar (como por exemplo, em torno de Taiwan). Que fique claro: esta não é uma fantasia ao estilo da “Guerra das Estrelas”; o Pentágono intenta romper o tratado de controle de mísseis antibalísticos devido a que, em realidade, pretende usar este sistema para a guerra (assim como para chantagens militares). Desde que George Bush (pai) proclamou uma “Nova Ordem Mundial” após a Guerra do Golfo Pérsico, enquanto que os estados operários deformados do bloco soviético se desmoronavam, a “superpotência” imperialista norte-americana tem estado impaciente para utilizar todo seu potencial militar para sublinhar seu domínio dos povos oprimidos do “Terceiro Mundo” e para se impor aos seus aliados/rivais na Europa e Japão. Ao Pentágono rondava a “síndrome do Vietnã”, o medo de perder outra guerra colonial. O democrata Clinton tentou superá-lo ao lançar os EUA numa série de invasões de pouco risco, as chamadas “missões de paz”, desde Haiti até Bósnia e Kosovo. Depois dos bombardeios nas embaixadas norte-americanas no Quênia e Tanzânia, EUA lançaram mísseis cruzeiro contra uma fábrica de fertilizantes no Sudão, assim como contra o “campo de treinamento de terroristas” que a CIA havia construído no Afeganistão. Porém agora os bombardeios de grande altitude denominados de “baixas zero” têm ficado para trás. “Se eliminaram as restrições”, congratulou-se um oficial do exército norte-americano. A enxurrada de propaganda bélica é um esforço comum dos partidos gêmeos do capitalismo norte-americano. “Devemos responder com uma fúria incrível”, declarou o senador democrata Patrick Leahy, considerado um “paloma” (político “pró-paz”) liberal. No Congresso, que em maio passado exaltou-se em defesa do criminoso de guerra em Vietnã e antigo senador Robert Kerrey, os políticos burgueses se alinham para jurar fidelidade ao comandante em chefe, o presidente “eleito” por um voto de diferença 5 contra 4 na Suprema Corte. Sem a menor legitimidade “democrática”, Bush manufaturará agora um “mandato” sobre os corpos enterrados sob os escombros do World Trade Center. Hoje “não há partidos” em Washington (como disse o Kaiser alemão Wilhelm a respeito do Reichstag alemão em agosto de 1914, quando este aprovou os créditos de guerra para a primeira carnificina imperialista mundial). Democratas e republicanos formam um só partido, o partido da guerra imperialista. “Neste novo tipo de guerra”, escreve R.W. Apple, analista do New York Times (14 de setembro), o governo diz que “não há estados naturais nem confiantes geográficos claros. Deve-se eleger um bando. Nós ou eles. Ou bem se está conosco, ou contra nós”. A unidade nacional é a consigna. Qualquer que discorde, muito menos que se oponha à campanha de guerra, será tachado de traidor, e a lei será ajustada para haver-se com ele. O governo está se preparando para introduzir uma série de medidas de estado policial para regimentar o país para a guerra. As liberdades democráticas supostamente garantidas pela Carta dos Direitos da Constituição dos EUA têm sido sempre severamente restringidas quando se trata de “subversivos”, “inimigos externos” ou dos descendentes dos escravizados. Inclusive uma parte da imprensa burguesa informa que os gritos de “Pearl Harbor!” trazem à mente de muitos norte-americanos de origem árabe e outros, as imagens dos de origem japonesa que foram internados em campos rodeados de arames farpados; temem ações similares no presente. Já o governo de Clinton expandiu enormemente o arsenal repressivo do governo, fazendo que centenas de delitos federais sejam possíveis de ser punidos com a morte, em virtude da lei de 1996 de Antiterrorismo e Pena de Morte Efetiva, aprovada após o bombardeio de um prédio federal em Oklahoma. Dita lei também reduz drasticamente o direito dos condenados à morte a apelar de suas sentenças. A luta contra a racista pena de morte está encarnada no caso de Mumia Abu-Jamal, ex-Pantera Negra e jornalista revolucionário preso no corredor da morte na Pensilvânia durante as últimas duas décadas. Incriminado falsamente sob a acusação de haver matado a um policial da Filadélfia, Jamal tem tentado apelar à condenação que resultou do juízo ardiloso. Porém apesar da confissão de uma testemunha que admite haver assassinado o policial, um juiz federal se negou em agosto a registrar esta evidência da inocência de Mumia. Ao lutar contra a campanha bélica, devemos redobrar nossos esforços a escala internacional para mobilizar o poder da classe operária para libertar a Mumia Abu-Jamal e abolir a racista pena de morte. As liberdades civis sofrerão agora um ataque ainda mais duro. Os falcões conservadores gritam: basta já de escândalo em torno aos “perfis raciais” empregados pela policia. Usando a seguridade aeroportuária como pretexto, crescerá o uso dos “perfis raciais” frente à população inteira, começando com os norte-americanos de origem árabe, para se estender aos negros, latinos e outros. O aspecto de todo participante em eventos de importância será gravado individualmente em vídeo e comparado com bancos de dados do FBI, como ocorreu na Super Taça do futebol americano em Tampa, Flórida em janeiro passado. Entretanto o aparato de repressão interna se prepara para a ação à escala total. A lei Posse Comitatus de 1878 proíbe o exército levar a cabo atividades policiais dentro das fronteiras dos EUA. Isto, todavia, já tem sido solapado graças ao estabelecimento de uma franja de unidades de uma Força de Tarefa Conjunta ao longo da fronteira mexicana, nas quais comandos do exército trabalham ombro a ombro com uma fortalecida policia fronteiriça para perseguir trabalhadores imigrantes. Depois, nos últimos meses da administração Clinton, se formou um novo comando militar continental, que já tem levado a cabo “exercícios” militares “antiterroristas” com várias forças de policias federais, estatais e municipais. Os planos para as operações de guerra dentro dos EUA, foram providos pelo informe de fevereiro de 2001 da Comissão de Seguridade Nacional dos Estados Unidos (conhecida como a Comissão Hart-Rudman) que busca também reformular a Lei de Seguridade Nacional em nome da luta contra o “terrorismo”. Propõe converter a Agência Federal de Administração de Emergências (FEMA) em uma Agência Nacional de Seguridade da Pátria que absorveria a patrulha fronteiriça, o serviço de alfândegas e a guarda costeira. Assim mesmo, se formaria um Centro Nacional de Ação nas Crises, junto com uma Força de Tarefa Conjunta para o Apoio Civil, que incluiria “várias forças de reação rápida, compostas predominantemente de unidades da Guarda Nacional de mobilização rápida”. Agora estes planos têm sido posto em operação. No frenesi bélico que tem se seguido os ataques contra o WTC, grandes setores da população civil dos Estados Unidos que jamais haviam conhecido a guerra exceto pela televisão, estão convencidos de que estão “sob ataque”. A idéia de que a sorte dos trabalhadores teria alguma importância para Bush, o prefeito Giuliani de Nova York e o resto da classe dominante, é claramente ridícula. Os capitalistas exploram as imagens da horrível matança somente para alimentar sua máquina de propaganda de guerra. O que buscam é algo como a “israelização” dos EUA, criando um clima em que uma nação dominante apresenta a si mesma como sitiada quando na realidade as depredações de seu esmagador poder militar têm produzido a ira que agora se lança contra ela. Ainda que a população de Nova York inicialmente reagiu com uma combinação de calma e angústia após o ataque ao WTC, a constante propaganda chauvinista está tendo efeito. Pode-se ouvir ignorantes alcoolizados exigir a gritos uma vingança sangrenta. Bush e Giuliani falam hipocritamente acerca da harmonia comunitária, enquanto que sua campanha de guerra inevitavelmente produz atrocidades racistas, como foi também o caso durante a Guerra do Golfo Pérsico. Em Nova York, bombas incendiárias têm sido lançadas contra mesquitas; taxistas de ascendência do Oriente Médio e do Sul Asiático têm sido ameaçados por rufiões ansiosos para linchar; sikhs da Índia têm sido golpeados por usar turbantes. Semelhantes cenas ocorrem ao redor do país. Os operários devem acudir em socorro as comunidades de minorias imigrantes ameaçadas, como o Grupo Internacionalista tem tomado a iniciativa de fazer em zonas de Nova York. Na França, o governo social democrata de Lionel Jospin tem restituído o programa de seguridade “Vigipirate”, perseguindo os jovens norte-africanos nos bairros pobres que circundam as grandes cidades. O movimento operário deve se mobilizar contra este programa de perseguição racista imposto pelo estado. Ao realizar uma defesa proletária etnicamente integrada de seus irmãos e irmãs de classe, os trabalhadores podem resistir a ameaça de pogromos, como aqueles nos quais se atacou os judeus na Rússia czarista, e que hoje ameaçam os árabes e outras minorias. Enquanto que a burguesia bate os tambores da guerra em nome do “antiterrorismo”, uma boa parte da esquerda tem se unido vergonhosamente à histeria. Um artigo do World Socialist Web Site de David North (12 de setembro) sobre “As raízes políticas do ataque terrorista” lança paroxismos de retórica antiterrorista antes destes pseudo-socialistas do ciberespaço terminem com uma tíbia critica à “política dos Estados Unidos” conduzida pela “elite governante”. Uma declaração do Freedom Socialist Party “Sobre o terrorismo político e os ataques de 11 de setembro” fala “tristemente” de como “o país busca respostas” mostrando sua preocupação de que possa resultar numa “caça de radicais e ativistas pró-paz” com apenas a mínima insinuação de que Washington está em processo de lançar uma guerra contra os povos da Ásia e Oriente Médio. O Progressive Labor Party intitulou sua declaração “Não devemos permitir que os ataques terroristas nos façam apoiar um estado policial”. Os reformistas do Communist Party USA e da International Socialist Organization rivalizam entre si em seus esforços para resultar indistinguíveis dos liberais comuns e correntes do Partido Democrata. Entretanto, vários grupos “antiglobalização” e de ação contra “oficinas do suor” consideram cancelar eventos programados posto que “o ataque terrorista foi um duro despertar” que “mudará definitivamente a direção da história”. O elemento comum que une todas estas declarações é que, diante a massiva pressão burguesa a favor da “unidade nacional” contra a “ameaça terrorista”, estas organizações de esquerda e grupos de ativistas embarcam em massa no trem da guerra. Certamente, murmuraram que lhes preocupam temas como as liberdades civis, o racismo antiárabe, etc., e pode incluve ocorrer que façam algumas críticas tíbias à campanha bélica e se unam às vigílias com velas e assinem petições pela “paz”. Todavia, sua principal preocupação consiste em deixar bem claro que juram lealdade à “sua própria” burguesia em meio do frenesi bélico, continuando assim sua política de colaboração de classes em tempos “normais”. Enquanto o governo declara que é questão de “nós ou eles”; estes grupos se alistam como a ala “esquerda” da “Santa Aliança Antiterrorista”. Os marxistas revolucionários opõem intransigentemente a “unidade nacional” da burguesia. O inimigo da classe operária e as minorias oprimidas são a classe dominante imperialista e racista, e seu estado capitalista, salpicado com sangue de milhões. Em meio da histeria, o Grupo Internacionalista e a Liga pela Quarta Internacional chamam a colocarmos do lado às vítimas do imperialismo. Lutamos por construir partidos trotskistas revolucionários capazes de nadar contra a corrente, pondo alto a bandeira do internacionalismo proletário, como fizeram os bolcheviques de Lênin durante a primeira guerra imperialista mundial permitindo isso realizar a Revolução de Outubro de 1917. O GI e a LQI [da qual também faz parte a LQB] lutam hoje por reforjar a Quarta Internacional como o autêntico partido da revolução socialista mundial, a única forma de impedir que a classe dominante submeta o planeta em um deserto de guerra e barbárie imperialista. Nova York, 14 de setembro de 2001
E-mail: internationalistgroup@msn.com Voltar à página principal da LIGA QUARTA-INTERNACIONALISTA DO BRASIL |